Num breve associar de pensamentos, levanto os olhos para os muretes que delimitam o pequeno jardim! Há um melro que teima em poisar na borda, como que querendo ele também apreciar este renascer do dia, da vida... instintivamente procuro as andorinhas! É ainda talvez um pouco cedo... mas a primavera está a chegar! Aqueles pequenos rebentos nos ramos podados da arvore que até aqui dava sinais de morte, doença e abandono, são agora o anunciar do regresso da primavera, dos dias mais longos, dos fins de tarde suaves e das cores...Curioso como estes breves sinais que despontam nos ramos feridos pelas mãos negras do jardineiro celebram agora o início de mais um ciclo, um início de vida... também a minha vida de reinicia hoje. Também a minha vida foi ferida pela tesoura implacável do destino. Mas aqui, tal como no jardim por baixo da minha janela, a vida renasce. Aguardo a chegada da primavera, dos ditos dias longos. Por enquanto vejo os rebentos da árvore florir e aprecio a companhia daquele melro, que no seu jeito trapalhão se junta a mim no café da manhã para ver a vida recomeçar.
Aquele Abraço... o clássico!
70s
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